terça-feira, 31 de julho de 2012

Compulsão ou compensação?


   A situação social e política do Brasil está ocasionando o caos em nossa “pátria amada”. Cada vez mais encontramos a corrupção tomando conta dos que possuem o poder temporário sobre os desígnios do povo. Pode-se concluir que seja a influência do famoso jeitinho brasileiro, que compele a estes senhores a praticarem crimes do “colarinho branco”, num verdadeiro paradoxo: o poder debanda do povo.

   Quando em 1500 disseram “terra à vista”, foi um ledo engano, aqui tudo é em suaves cotas. Após tivemos a “ordem e o progresso” ou seria desordem e regresso?

   De tudo o que mais sentimos como cidadãos cumpridores do dever, é que a prevaricação atinge a todos os setores, num liame em que o poder corrompe. Há uma compulsão ao delito, não importando a quantos se vai atingir, mas sim o lucro adquirido.

   Criam-se impostos – pomposas siglas que impressionam, mas “onde está o dinheiro? O gato comeu e ninguém viu...”

   Não temos direito à educação, saúde, segurança... Contudo temos o dever de pagar – pelo que fizeram com o nosso dinheiro. 

   Então, o país do samba, do carnaval e do futebol, desta pátria verde e amarela, esquece seus problemas, afinal é a época dos preparativos para sediarmos a Copa do Mundo, numa compulsão nacional somos todos brasileiros, esquece-se a compulsão que a muitos levou ao delito.

   O tempo passa e, tudo é uma outra história, e o nosso canarinho veste a fantasia, torna-se o Zé Carioca – com seu jeito astuto, dentro deste ícone estão os que cometem os crimes do colarinho branco, pois alçam voo para os “paraísos fiscais” com o que daqui retiraram.

   Pode-se falar em impunidade, peculato, prevaricação ou compulsão, mas não esqueçamos da força do voto, sejamos eleitores conscientes, pois como diz a letra de um hino do Rio Grande do Sul: “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo...”

   Lopes, Alexandra da Costa. "Compulsão ou compensação?". Julho de 2012. livredialogo.blogspot.com.br
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Lamento da Madrugada.

Com idade avançada
E o coração por um triz
Espera o nada
Aquele pobre infeliz

Tempos atrás ousado e esperto
Coragem inigualável
Agora, o observando de perto
Uma tristeza notável

Tinha um espírito valente
Raçudo e nunca recuava
Honra e glória na sua mente
Quando uma batalha ganhava

Mas agora o que aconteceu?
Perdeu o sentido de viver
A carne está viva, mas a alma já se perdeu
Conta os segundos para enfim, padecer

Ânimo amigo, levante a cabeça
Fé, coragem e resistência
Te digo, não esqueça
Valorize a essência

Mas ele não segue meus conselhos
Na madrugada, faz seus lamentos
Em cima da cama, fico de joelhos
E da janela, ouço aquela expressão de sentimentos

Desesperado, clama por morte
Pavor e angústia dominam aquele coração
Meus arrepios cada vez mais fortes
Com o pânico daquele cão

Garcia, Samuel. "Lamento da madrugada". Julho de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Entre Chamas e Faíscas.

Entre Chamas e Faíscas
Está o nosso amor
Já não sei se estou servindo de isca
Somente pra aliviar sua dor

Chuva incessante e correnteza furiosa
Eu a olhar pela janela, ouvindo trovões
Lembro quando te dei aquela rosa
E ali se juntaram nossos corações

Parecia um amor ardente no início
Mas agora tudo está mudado, não entendo
Nós éramos um só, mas agora está difícil
Você se distanciando e eu sempre te querendo

Infelizmente, creio que irá acabar
Mora tão longe e sinto que não é mais como antes
Acho que você perdeu a noção da palavra ''amar''
Pensei que fosse o seu tão sonhado amante

Quando nos vemos, você se recusa a falar
Pergunto o motivo, você desconversa
Apesar de tudo, insiste em comigo ficar
Em um mar de incertezas, você está submersa

Abraço, sem empolgação
Beijo, sem calor
Carinho, sem retribuição
Me ama, sem amor

Volto à ''realidade'', sento na cadeira
Com os olhos fixos na lareira
Observo o fogo queimando a madeira
Caem as lágrimas traiçoeiras
Por perceber que a nossa história
O destino indomável rabisca
E assim como a madeira
Entre Chamas e Faíscas...


Garcia, Samuel. "Entre chamas e faíscas". Julho de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Riqueza sagrada de ser humilde.

O diálogo que segue é verídico e ocorreu na rede social Facebook entre amigos, que fique claro. Para evitar a exposição dos envolvidos, nomes e dados que possibilitassem a identificação foram removidos. O "Diálogo Livre" pede, no entanto, que  se este material for utilizado, seja citada referência à livredialogo.blogspot.com nos termos expressos ao final desta postagem. Outrossim, que não haja intolerâncias em possíveis comentários. Grato pelo entendimento, Farias, M. S. 

***

Padre: Colocar este tipo de comparação não tem nenhum sentido... Devemos colocar o que temos de bom ou até de melhor para o culto de Deus. Só assim nossas consciências se abrem para o transcendente e para o infinito e não nos fechamos na nossa mesquinhez... Devemos viver a pobreza real na vida pessoal, sem colocar o que sobra para o culto de Deus. Assim vive o Papa e viveram todos os amigos de Deus. Só assim ajudaremos verdadeiramente os pobres.
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Leigo: O problema, padre, é que as pessoas não veem assim. Eles veem ouro adornando a Igreja que prega a partilha, a ajuda ao próximo. Elas veem a Igreja de Cristo dona de valores altos, rica, e sabem que Jesus viveu humildemente. Elas querem mais que simplesmente palavras, querem ação. O que de melhor podemos oferecer a Deus senão nossos corações sinceros? Ouro não teria tanto valor se existisse em toda parte, seria apenas mais um metal qualquer. Ajudar ao semelhante, salvar uma vida abnegando a sua é algo de um valor imensurável. 
Sou Católico, amo a Igreja que sigo e a defendo quando vejo lhe acusarem, mas há certas coisas que são difíceis de compreender. Às vezes pergunto-me se esse conceito de "colocar o que temos de bom ou até de melhor para o culto de Deus" no sentido material não fez com nos desviássemos de nosso verdadeiro caminho, pois o que de melhor podemos empregar senão o coração sincero, a ajuda ao próximo que sofre?
Sei que os governos têm suas responsabilidades, que a Igreja ajuda que já chegou a fechar as contas em vermelho e tudo mais, mas há sim, mesmo que pouco, um fundo de verdade nessa imagem. E digo mais, não é apenas a Igreja Católica que merece um "puxão de orelhas" como esse da imagem, outras tantas também deveriam ser criticadas.

Padre: Não consigo concordar com esta visão, caríssimo amigo, pois a que se gasta no culto, por melhor que seja é completamente irrisório. Não faria sentido que tivéssemos artigos de segunda qualidade no culto divino e de primeira em nossas casas. Quando seguimos por este caminho nos tornamos mesquinhos. Os maiores santos que atenderam como ninguém os pobres, a saber, um São Francisco, uma Madre Tereza de Calcutá esforçavam-se na sua pobreza em ter na capela de suas casas religiosas artigos de primeira para dar glória a Deus. Uma coisa não vai contra a outra. O que devemos cuidar é do nosso egoísmo. Geralmente quem acusa a Igreja disto não entende o amor dos cristãos por Deus e sua centralidade em nossas vidas. E me pergunto o que estes acusadores mal intencionados fazem pelos pobres. É minha visão, querido amigo. Posso estar errado, mas não consigo enxergar de outra forma. Grande abraço.
Ademais cabe outra colocação: poderíamos nós vender a Matriz de nossa cidade para ajudar os pobres? Seria realmente ajuda os pobres acabar com este prédio de uso para o culto de Deus, tornando de uso comercial, para que sua renda fosse revertida aos mais necessitados? Sempre que Deus saiu do centro da vida humana a vida humana foi pisoteada.

Leigo: Padre, acredito que o senhor não tenha compreendido minha observação. O que critico são os exageros. Há realmente a necessidade de expressarmos nossa fé, nosso amor, por meio de coisas materiais? Não. Deus, acredito eu, leigo que sou, não distingue a adoração feita num templo belíssimo de uma feita no mais humilde dos recantos, Ele observa a pureza, a verdade, a fé que há nelas.
Não estou dizendo que se deveria vender a Santa Sé. De forma alguma.
Desculpe se estou sendo petulante, vendo as coisas por um ângulo errado, mas não consigo entender algumas coisas.
E acho que, isso se aplica não apenas a Igreja, mas a seus seguidores também.

Padre: Mas vamos lá, gosto de debates nestes temas cruciais. Não consigo ver exagero verdadeiro nas obras e objetos de culto da Igreja. Tens toda a razão, mas se pudéssemos dar para Deus algo bom e não déssemos e pelo contrário usássemos pessoal e egoisticamente, estaríamos sendo puros, verdadeiros e coerentes com o que acreditamos?

Leigo: Se pudéssemos dar e pelo contrário usássemos egoisticamente, então é por que não temos fé. Agora me responda: como realmente podemos dar esse algo bom a Deus senão utilizando-o em favor de um semelhante que sofre, que muitas vezes não tem sequer o que trajar, quanto mais o que comer?

Padre: Para entender esta prática milenar dos cristãos em dar o melhor para Deus (aliás, como foi feito aqui em nossa cidade, quando os cristãos construíram com o melhor prédio, no lugar mais central da cidade para Deus) é preciso entender a partir de uma fé viva, prática e de um amor verdadeiro e enamorado. Como um namorado vai convencer sua amada que a ama quando dá presentes sem valor para ela e gasta em coisas supérfluas para si e para outras pessoas?

Leigo: Padre, sentimentos são imateriais.

Padre: Não dá para contrapor culto de Deus e ajuda aos pobres, nunca a Igreja os contrapôs: são duas faces da mesma moeda, completamente inseparáveis.
São sentimentos imateriais, mas que necessariamente devem ter repercussão material. Quando aquela mulher no evangelho esbanjou com um óleo caríssimo sobre o corpo de Jesus, Judas Iscariotes reclamou dizendo que se poderia dar aquele valor para os pobres. Jesus defendeu o gesto cheio de amor daquela discípula...

Leigo: Sim, eu sei bem disso. O problema é que ao longo dos séculos nós nos fomos desviando do caminho. Quando surgiu a Igreja, não havia Vaticano, papado propriamente instituído como hoje, não havia ouro. Jesus viveu humilde, não precisou de ouro, mármore, nem nada material para demonstrar seu amor ou propagar seus ensinamentos. Pedro abnegou-se, cumpriu sua missão transmitindo as palavras de Cristo e não precisou de nada material para mostrar a Deus, a Cristo que os amava.
Não acho errado a Igreja ser adornada. Acho-a bela. O que não me conformo é com os exageros. Para que tanto luxo, tanta ostentação ao passo que muitos sofrem sem um centavo?
Será que realmente não nos tornamos gananciosos ao longo dos séculos?

Padre: Bem Papa sempre existiu. Viver pobremente como Cristo é uma coisa, agora tratar as coisas que se referem a Deus de maneira miserável com a desculpa de dar para os pobres não parece haver sentido, pois dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo, e repito necessariamente. Temos que viver a pobreza, não esbanjar, pensar nos outros e naquilo que mais toca em Deus aqui na Terra, sobretudo quando se trata da Eucaristia. Cuidar do culto de Deus está bem longe de ser ganancioso muito pelo contrário. A Igreja, isto sim, não deve ter prédios, campos, carros que não sejam estritamente para a evangelização e para o cuidado dos pobres ou ainda que sirva para a cultura da humanidade. Nada que seja supérfluo.

Leigo: Padre, eu sei muito bem que a Igreja trabalha em obras humanitárias. Já cheguei a discutir gravemente com amigos defendendo a postura da Santa Sé. No entanto, acho que expressar a fé em coisas materiais deixou há muito de ser uma necessidade e, tornou-se, talvez, a única representação da fé de muitos. Quando falei da ganância dentro da Igreja, não me refiro somente ao uso de materiais preciosos a todo de ornamentação, mas também das disputas internas que vem desmoralizando-a, a ponto de documentos sigilosos que comprometem a imagem da Igreja vazarem supostamente por ação de membros da Cúria. Isso me parece pouca fé e muita ganância.
Como católico que sou, fico muito entristecido ao ver a Igreja que amo e sigo metida em escândalos, adotando posições que muitas vezes se chocam com seus ideais.

Leigo 02: Acho que dar o melhor pra Deus (dourar coisas, por exemplo) é típico de qualquer cultura seja ela cristã ou não. É simples e não precisa pensar muito: quando você vai dar algo a alguém que preza muito, você dá qualquer coisa e ela que entenda, ou você, ainda que através do material, tenta dar algo de estima, belo, marcante? E imagina isso numa relação com o Deus? Não é elevado à máxima potência? Por isso é normal e é do homem ornar templos, tentar imitar através da arte (música, por exemplo) aquilo que dentro de seu imaginário, mas também dentro do seu simbólico interno representa Deus.

Leigo: Sou católico porque creio e respeito a religião e seus dogmas, no entanto, há certas coisas que eu não consigo compreender, como já disse antes.

Leigo 02: Agora isso não tem nada a ver com o mau comportamento dos cristãos ou de outras religiões ou ate de ter/não ter religião: um mendigo pede uma esmola na porta da Igreja: isso é culpa sua ou da Igreja? Ou é culpa de quem? É o ouro da Igreja, ou de uma cidade inteira que vai resolver? Com certeza não... Ouro nenhum no mundo pode resolver o HOMEM. O problema não esta fora nos bens, dentro do homem.

Padre: Bem. Deus se encarnou, e, portanto a matéria é importante para Deus. A fé necessita ser expressa materialmente, visivelmente, como repercussão exterior daquilo que acreditamos em nossos corações. Quanto ao pecado destes irmãos que traíram o Santo Padre cabe-nos perdoá-los e lembrar que não são erros da Igreja como instituição divina, mas de membros da Igreja. Como são também os nossos pecados, são nossos e não da Igreja.

Leigo: Mas nós não somos Igreja, Padre?

Leigo 02: Cito aqui uma passagem bem interessante: 3 Maria, então, tomando meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos. A casa inteira encheu-se do aroma do perfume. 4 Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que entregaria Jesus, falou assim: 5 “Por que este perfume não foi vendido por trezentos denários para se dar aos pobres?” 6 Falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas, porque era ladrão: ele guardava a bolsa e roubava o que nela se depositava. 7 Jesus, porém, disse: “Deixa-a! que ela o guarde em vista do meu sepultamento. 8 Os pobres, sempre os tendes convosco. A mim, no entanto, nem sempre tereis”.

Padre: Todo batizado, até aquele que não tem participação é membro da Igreja. Agora o que um membro da Igreja pensa nem sempre é necessariamente o que a Igreja pensa. Quando faço uma coisa errada que não está de acordo com a Palavra de Deus, não é a Igreja que está errando, sou eu. Mesmo quando falo, se falo em desacordo com o que diz a Igreja, mesmo sendo padre, não é a Igreja que está falando.

Leigo: Leigo 02 dê-se ao trabalho de ler todo o debate e interpretá-lo. Já falamos sobre isso. Além do mais, sendo Jesus quem é não é de se supor que soubesse a intenção de Judas e o fato de sua hora aproximar-se tenha considerado muito mais que o gesto de Madalena, sua intenção intrínseca?

Leigo 02: Mas sobre as decepções, Leigo: a Igreja é justo o local de maior combate! É justamente aqui que vamos enfrentar as maiores decepções, as maiores lutas mas também a maior vitória. Já leu a vida de um Francisco de Assis? Ou mais atual Pe. Pio? Onde estiveram suas maiores cruzes? Na Igreja! E é isso mesmo! É aí que se dá a luta! E aí vem a dor e a alegria! Não em outro lugar!
Desculpe Leigo, li sobre o debate, desde a foto, cada letra e expressei uma opinião. Retiro-me da discussão neste momento: você quer filosofar, problematizar etc... Não tenho tempo pra isso, achei que queria soluções, mas você quer dúvidas :) seja feliz!

Leigo: Bom, então só sou parte da Igreja se eu estiver certo ou de acordo com ela? Mas padre, a Igreja é dirigida na Terra por seres humanos e somos falhos.
Acredito que já estamos fugindo ao tema central do debate. E entrando noutros aspectos.

Padre: Queridos amigos: em tudo ha caridade. Não queremos ganhar debate, apenas expressar nossos pontos de vistas para nos enriquecer mutuamente. Só para isto. Pelo contrário Leigo 02 seja bem-vindo. Destes contribuições importantes. O ponto de vista do Leigo também é importante, pois assim ajudará aos Pastores da Igreja a nunca decair. Paz...
Decair num exagero que também não condiz com o verdadeiro espírito da liturgia cristã.
Bem queridos, vou botar o Padre para dormir. Boa noite e que Deus abençoe a todos.

Leigo: Padre, acho que o objetivo das religiões deva ser tornar as pessoas melhores, trazer paz, humanidade, amor, fraternidade aos corações. Demonstrar nossa fé, nosso amor a Deus é importante, mas não devemos nos esquecer do nosso próximo. Não sou contra a igreja adornada em ouro, só acho que deveríamos nos preocupar com nosso semelhante que sofre. E gostaria muito sinceramente de ver a Igreja Católica (sacerdotes e fiéis) novamente vendo no próximo a manifestação de Deus. Não me esqueço da catequese e das homilias onde ouvi que nosso corpo é o templo do Espírito Santo, então acho que deveríamos nos preocupar com isso. 
Desculpe-me pela petulância, por "problematizar" como sugeriu o Leigo 02, mas precisava ao menos consignar um ponto de vista. 
Vou reler nossa conversa e procurar refletir mais sobre ela, buscar compreender melhor esta concepção da Santa Igreja. Agradeço-lhe, Padre pela paciência, asseguro-lhe que me há sanado algumas dúvidas e proporcionado um maior conhecimento da religião que sigo fidedignamente.
Tenhas uma boa noite.
Abraço.

Padre: Bom dia Leigo. Esta conversa também foi importante para mim. Obrigado pela ajuda.



"A Riqueza sagrada de ser humilde". Julho de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

O guardador de rebanhos (1911-1912) - Poema III.



Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente.
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.


Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,



E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...




Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...








Pessoa, Fernando, (1888-1935). Poemas de Alberto Caeiro: obra poética II. Porto Alegre, L&PM, 2010. p. 35.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sopro Divino

Sopro Divino
Guerreiro e Destemido
Desde os tempos de menino
Ouço o seu ruído

Pode ser suave, pode ser cruel
Faz presença em cada dia
Até o mais calmo, levanta papel
Quando é violento, só há agonia

Pode ser frio, pode ser quente
Nos dá prazer ou não
Às vezes é intermitente
E agita o coração

Pode dar alegria, pode dar medo
Da janela fico a escutar
O seu sopro no arvoredo
Agita as folhas sem parar

Sopro Divino
Nunca perde o alento
Desde os tempos de menino
Costumo chamá-lo de: Vento

Garcia, Samuel. "Sopro divino". Julho de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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sábado, 21 de julho de 2012

Meu Universo Perfeito.

Me vejo perdido, encurralado
Admiro esse paraíso, maravilhado
E percebo a felicidade no meu peito

E eu sou sempre bem-vindo
Quem dera eu entrar todos os dias nesse universo
É tudo tão fascinante e lindo
Um mundo totalmente ao inverso

Perco o fôlego quando lá chego
Sinto uma bela e admirável calma
Sempre procuro esse aconchego
Essa sensação purifica minha alma

Esse lugar domina a mente
Mas não é cenário ou feitiço
Maravilhas fluem como uma vertente
Não existe nada semelhante a isso

Eu só fico sorrindo
Paz, emoção e liberdade
É incrível, a satisfação consumindo
De contemplar um mundo sem maldade

Não existe ódio, falsidade
Mentira, pecado e rancor
Nesse universo só há a verdade
E o sentimento chamado amor

Paraíso sem igual, tão amável
Eu amo esse lugar
Tem um brilho incomparável
A luz do TEU OLHAR
Garcia, Samuel Dutra. "Meu universo perfeito". Julho de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Para que serve um amigo?

Martha Medeiros.

Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito. 

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos. 

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. 

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. 

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. 

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Leva-te para o mundo dele, e topa conhecer o teu. 

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o réveillon. 

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. 

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. 

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.

Extraído de facebook.com.br

terça-feira, 17 de julho de 2012

"O guardador de rebanhos" (1911-1912) - poema X.






"Olá guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que diz o vento que passa?"











"Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti, o que diz?"











"Muita coisa mais do que isso,
Fala-me de muitas outras coisas.
De memórias e de saudades
E de coisas que nunca foram".







"Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti".









Pessoa, Fernando, (1888-1935). Poemas de Alberto Caeiro: obra poética II. Porto Alegre, L&PM, 2010. p. 52-53.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Competitividade.

A competitividade em si não é algo mal, sem ela nosso sistema capitalista não se sustentaria, isto é, faliria. Igualmente, não haveria progresso em sentido algum, pois existira um conformismo intelectual, social e tecnológico. É o instinto de competir que faz com que evolucionemos, porém, como tudo na vida, existe um limite. Quando passamos a menosprezar a forma de atingir uma meta, tornamo-nos perniciosos à sociedade e nós mesmos.

O individualismo hoje em nossa sociedade é crescente, com isso também acirra-se a competição por melhores colocações sociais, financeiras, políticas etc. Esta avareza faz com que aja-se com nulidade de caráter e dos valores altruístas da inteligência, do espírito humano, condicionando o pensamento social a um conceito equivocado de valores, que visa fins grandiosos e meios vis.

Nas escolas, de um modo geral, é plantada a semente desta competição. Por meio de probatórias que anulam muitas vezes o pensamento crítico, uma vez que se circunscrevem a “reprise”, ainda que em sinônimos ou fidedignamente do conteúdo desenvolvido pelo mestre, isto é, o aluno simplesmente decora aquilo que deveria reflexionar e aprender, transcrevendo a prova não um conhecimento genuíno, mas mera cópia. Não observa-se nisto a finalidade de expansão cognitiva, mas de lograr-se boa nota, mesmo que para tanto, seja necessário “tapear” o professor – “colar”, o que é tão ruim quando apenas memorizar informações.

Há no presente uma grande tendência do ser humano querer ser sempre o “número um”, em qualquer que seja o contexto. Em muitos casos sequer sabemos ao acerto o que de fato queremos. Esse instinto de competição avarenta faz nulificar nossas emoções e intuições e passamos a agir maquinalmente, tomamos decisões baseadas em um suposto “padrão” que nos leva a desenvolver planos e metas que não necessariamente representem nosso gosto, e sim o que a sociedade apresenta como a nossa felicidade.

O aluno precisa ser estimulado a pensar, reflexionar sobre o que lhe é apresentado não apenas em sala de aula, mas em seu quotidiano, precisa ser capaz de desenvolver ideias coerentes, de distinguir o que é real e necessário, daquilo que é fruto de um devaneio da ganância e da soberba. Necessitamos livrar-nos deste padrão ideológico que nos condiciona a uma competição intérmina, e passarmos a adotar o pensamento crítico, racional, mas ligado aos sentimentos que nos tornam humanos. A ganância sem limites, esta competição predatória de nossa sociedade (longe de adequar-se aos padrões científicos da Biologia), está fazendo do homem irresponsável a ponto de, mesmo ciente da fragilidade do meio-ambiente, prosseguir devastando-o para lucrar.

A competição não é um mal, é necessária à nossa evolução, mas deve manter-se atrelada ao senso de bem comum e respeito à vida, ao planeta Terra.

“Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos à parte alguma.” (José Saramago).

“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensaram ansiosamente no futuro esquecem-se do presente, de forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.” (Dalai Lama).

Farias, M.S. "Competitividade". Julho de 2012. http://livredialogo.blogspot.com.br/
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